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Como escolher um sistema de controle de validade para a loja
Os critérios que separam um sistema útil de mais uma tela para preencher, do cadastro de lote à exportação dos dados. Inclui as...
Custos
Quase toda loja sente que perde demais e quase nenhuma sabe dizer o percentual. A conta é simples, o trabalho está em decidir o que entra nela e a que preço.
A quebra mostra quanto dinheiro a loja deixou de transformar em venda por vencimento, avaria, manuseio, produção excedente, consumo interno ou diferença de inventário. Com uma apuração mensal feita pelo custo, o dono consegue identificar a seção que exige ação e levar números consistentes ao contador.
Quebra de estoque é toda mercadoria que saiu do controle comercial sem gerar uma venda normal. Para medir corretamente, separe a perda identificada no dia a dia da perda desconhecida, revelada pelo inventário.
A quebra operacional identificada é aquela registrada quando acontece. Ela pode incluir:
Para aprofundar: Escolher um sistema de controle de validade.
Já a quebra desconhecida aparece na comparação entre o estoque que o sistema ou a planilha deveria apontar e o estoque contado fisicamente. Ela pode decorrer de erro de entrada, falha na pesagem, produto não baixado, consumo não registrado, furto ou falha de inventário.
A soma dessas duas frentes forma a perda total do período. Sem essa separação, a loja sabe que perdeu, mas não sabe se deve atacar a validade, o recebimento, a produção, o cadastro ou a rotina de contagem.
Existem duas formas principais de apresentar o indicador. Ambas usam o valor da perda pelo custo de compra ou de produção, nunca pelo preço cheio de venda.
| Indicador | Fórmula | Quando usar |
|---|---|---|
| Perdas sobre faturamento | valor das perdas a custo ÷ faturamento líquido x 100 | Para mostrar o peso da quebra na receita da loja e acompanhar o impacto gerencial |
| Perdas sobre CMV | valor das perdas a custo ÷ custo da mercadoria vendida, CMV x 100 | Para comparar eficiência de estoque, categorias e períodos com margens diferentes |
O faturamento líquido deve excluir cancelamentos, devoluções e tributos que não representam receita efetiva da operação, conforme o critério usado pela contabilidade. O CMV representa o custo das mercadorias efetivamente vendidas no período.
A fórmula do CMV é:
CMV = estoque inicial + compras líquidas + custos de produção, quando aplicável, menos estoque final
Em uma padaria com produção própria, a apuração precisa considerar ingredientes consumidos, embalagens e o critério adotado para a produção. Vale alinhar isso com o contador, especialmente se a loja mistura revenda, fabricação e refeições prontas.
O percentual de perdas em supermercado, mercadinho ou loja de conveniência não deve ser interpretado sozinho. Uma loja pode ter percentual baixo sobre faturamento e, ainda assim, perder muito em uma categoria de margem estreita. Por isso, acompanhe os dois índices e abra o resultado por setor.
Se um iogurte vencido custou R$ 4 e era vendido por R$ 7, a perda de estoque é R$ 4. Os R$ 3 restantes correspondem à margem que a loja deixou de ganhar, não a dinheiro que já havia investido na mercadoria.
Registrar a quebra pelo preço de venda infla artificialmente a perda de estoque. Isso mistura duas informações diferentes:
A distinção melhora a decisão. O custo aponta quanto a empresa imobilizou e perdeu. O preço de venda pode ajudar a estimar o potencial de faturamento perdido, desde que seja mostrado em um campo separado e sem ser usado na baixa contábil ou fiscal.
Quando houver desconto para vender um item perto do vencimento, isso não é quebra total. Se o produto foi vendido, houve receita menor e possivelmente margem reduzida. A perda ocorre apenas se houver descarte, avaria sem aproveitamento ou outra saída sem venda.
O índice geral pode esconder o problema. Hortifruti, frios, açougue, laticínios, mercearia seca e padaria têm riscos, margens e ciclos de reposição distintos. A apuração por categoria mostra qual seção está puxando o resultado.
Exemplo: um mercadinho apurou, em um mês, faturamento líquido de R$ 180.000 e CMV de R$ 117.000. As perdas foram registradas pelo custo:
| Categoria | Perdas identificadas | Perda desconhecida no inventário | Perdas totais |
|---|---|---|---|
| Hortifruti | R$ 2.100 | R$ 300 | R$ 2.400 |
| Padaria | R$ 900 | R$ 100 | R$ 1.000 |
| Laticínios e frios | R$ 650 | R$ 250 | R$ 900 |
| Mercearia | R$ 200 | R$ 500 | R$ 700 |
| Total | R$ 3.850 | R$ 1.150 | R$ 5.000 |
O índice geral sobre faturamento é:
R$ 5.000 ÷ R$ 180.000 x 100 = 2,78%
Para ter esse fechamento pronto, veja o relatório mensal de perdas do PrazoGiro.
O índice sobre CMV é:
R$ 5.000 ÷ R$ 117.000 x 100 = 4,27%
O resultado aponta hortifruti como maior perda identificada, o que pede revisão de compra, exposição, giro e aproveitamento permitido pela operação. Mas a mercearia merece atenção diferente: sua perda desconhecida é alta em relação à perda total da categoria, sinal de que o problema pode estar no inventário, nas entradas, nas saídas ou no controle de itens.
Para fazer essa leitura, mantenha pelo menos estas colunas em sua planilha ou sistema: data, produto, quantidade, custo unitário, motivo, categoria, responsável pelo registro e destino do item. O registro diário leva poucos minutos quando o produto já está sendo separado para descarte, troca ou uso interno. Deixar para reconstruir tudo no fim do mês costuma gerar estimativas fracas.
A baixa de estoque por produto vencido precisa conversar com a escrituração fiscal e contábil da empresa. O descarte físico sem registro pode deixar saldo de estoque incorreto, dificultar o inventário e criar divergências em uma fiscalização.
Em operações sujeitas ao ICMS, o CFOP usual para baixa por perda, roubo ou deterioração é o 5.927, nas operações internas, ou 6.927, nas interestaduais. A emissão do documento fiscal, a escrituração e a exigência de documentação complementar dependem da legislação estadual e do regime tributário da empresa.
A Lei Complementar 87/1996 prevê o estorno de créditos de ICMS relativos a mercadorias que se deteriorarem, forem objeto de roubo, furto ou extravio, ou se perderem. Na prática, a forma de calcular e escriturar esse estorno deve ser validada com o contador, pois há regras estaduais, particularidades do produto e efeitos do regime tributário.
Não use o CFOP como substituto do controle operacional. Para uma baixa defensável, guarde:
Empresas do Simples Nacional também devem manter controles de estoque e documentação das perdas. O tratamento tributário não elimina a necessidade de demonstrar por que a mercadoria saiu do estoque.
Leitura complementar: Planilha ou aplicativo de validade.
Registre as perdas identificadas todos os dias e feche o indicador mensalmente. Faça inventários rotativos por categoria, com maior frequência para perecíveis, itens caros ou produtos que costumam apresentar diferença.
A comparação mês a mês exige contexto. Dezembro, feriados, calor, chuvas, férias escolares, promoções e mudanças no horário da loja alteram demanda e descarte. Compare também com o mesmo mês do ano anterior, quando houver histórico, e registre eventos fora da rotina.
Os erros mais comuns são calcular tudo pelo preço de venda, não registrar consumo interno, contar estoque sem conferir unidade de medida e jogar toda diferença do inventário em “quebra” sem investigar. Corrija começando por uma classificação simples de motivos e por contagens menores, feitas com frequência.
Se o índice subir, não conclua automaticamente que houve mais desperdício. Pode ser que a equipe tenha começado a registrar vencidos que antes eram descartados sem baixa. Nesse caso, a qualidade do dado melhorou, e o próximo passo é reduzir a causa da perda com base nos produtos e horários que mais aparecem no relatório.
Calcular a quebra exige disciplina, não uma estrutura complicada: registre a perda no momento em que ela ocorre, valorize pelo custo, apure o índice sobre faturamento e CMV, e compare categorias antes de tomar decisões. Com esse processo, a conversa com o contador deixa de ser baseada em estimativa e passa a ter documentação, motivo e valor.
O PrazoGiro pode apoiar essa rotina ao mostrar o que vence no dia seguinte e organizar a ação antes que o item vire descarte. Se sua loja precisa transformar o controle de validade em dados de perda por mês, peça uma demonstração para avaliar como a ferramenta se encaixa na operação.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do PrazoGiro.
Calcular uma vez é fácil, difícil é ter o dado todo mês sem parar a loja. O PrazoGiro soma as baixas por motivo, produto e fornecedor e fecha o período no formato que o contador usa.
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