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Checklist do PEPS: como organizar a gôndola para girar o estoque
Um checklist de reposição para garantir que o lote mais antigo saia primeiro, do estoque à ponta da prateleira. Serve para treinar...
Tendências
Vender o que está perto do vencimento deixou de ser vergonha de loja mal administrada e virou seção com nome próprio. Vale entender o que já funciona no Brasil antes de copiar modelo de fora.
A venda de produtos próximos do vencimento deixou de ser uma ação improvisada no fim do dia e passou a integrar rotinas de preço, exposição, doação e controle de perdas. Para padarias, hortifrutis, açougues e mercadinhos, a escolha depende menos de tendência e mais de operação: saber o que vence, em que condição está e qual destino ainda é seguro e viável.
Redes de supermercado vêm usando a gôndola de produtos perto do vencimento, também chamada de ilha de oportunidade ou área de última chance, para separar itens que precisam girar rapidamente. A ideia é tornar a oferta visível sem misturá-la aos produtos com prazo mais longo.
O ponto costuma ficar em local de alto fluxo, como próximo aos caixas, na entrada ou no corredor central. Em lojas menores, uma ponta de gôndola, um expositor móvel ou uma cesta bem identificada pode cumprir a mesma função.
Para aprofundar: Checklist do PEPS na gôndola.
A sinalização precisa ser direta. O cliente deve entender que o desconto ocorre porque o produto está perto da validade, sem imaginar que há defeito ou irregularidade. Uma placa simples pode informar: “Produtos próximos do vencimento. Confira a data na embalagem”.
A política de preço também precisa ser padronizada. Não existe desconto único obrigatório, e o percentual deve considerar margem, condição do item, dias restantes e chance real de venda. Produtos com validade no dia seguinte podem exigir uma redução maior do que itens com vários dias disponíveis.
O mais importante é evitar decisões diferentes para produtos iguais. Se um iogurte vence amanhã e está com determinado preço na ilha, outro lote nas mesmas condições não deve receber desconto aleatório no caixa.
Antes de colocar um item na área de oportunidade, confira:
A venda não é permitida depois do vencimento. Além disso, desconto não corrige falha de conservação. Produto com embalagem estufada, vazamento, odor alterado, temperatura inadequada ou outro sinal de comprometimento deve ser retirado da venda, mesmo que a data ainda não tenha expirado.
O aplicativo de comida perto da validade funciona, em geral, pela venda de sacolas com excedentes ou produtos que precisam ser retirados rapidamente. O cliente compra pelo aplicativo, paga um valor reduzido e busca a sacola em uma faixa de horário definida pela loja.
Food To Save e Comida Invisível são exemplos de plataformas que atuam no Brasil com esse modelo. A composição da sacola pode variar, pois depende do excedente disponível no dia. Uma padaria pode montar sacolas com pães, salgados e doces produzidos no período. Um hortifrúti pode separar frutas, legumes e verduras ainda próprios para consumo, mas com maturação avançada.
Para participar, a loja normalmente precisa passar por cadastro, definir horários de retirada, manter um responsável pela montagem e cumprir as regras operacionais da plataforma. As exigências comerciais, taxas, cidades atendidas e critérios de aceitação variam conforme cada aplicativo e devem ser conferidos antes da adesão.
A operação parece simples para o cliente, mas exige disciplina nos bastidores. A sacola não pode ser montada com produto vencido, alimento sem condição de consumo ou item cuja conservação tenha sido perdida.
Uma rotina prática é:
O custo maior não costuma estar na sacola, mas no tempo de separação, atendimento e conciliação. Para uma loja pequena, vale começar com poucos horários e uma quantidade limitada de pedidos. Se a equipe fica sobrecarregada no pico de atendimento, o canal pode gerar mais confusão do que recuperação de receita.
A doação é uma alternativa para alimentos que não serão vendidos, mas ainda estão próprios para consumo. Pode atender bancos de alimentos, cozinhas solidárias, instituições assistenciais e projetos locais que tenham capacidade de receber, armazenar e distribuir os produtos.
A Lei 14.016/2020 autoriza a doação de excedentes de alimentos por estabelecimentos dedicados à produção e ao fornecimento de alimentos, desde que os itens estejam dentro do prazo de validade e em condições adequadas de conservação. A lei também trata da responsabilidade do doador, com proteção quando não houver dolo, mas isso não elimina a obrigação de agir com cuidado.
Não doe produtos vencidos, itens com embalagem comprometida ou alimentos que ficaram fora da temperatura exigida. Em carnes, laticínios, congelados e alimentos preparados, o transporte e a cadeia de frio merecem atenção especial.
O ponto de partida é a lista diária de vencimentos do PrazoGiro.
A instituição parceira deve saber o que recebe e em que condições consegue armazenar. Não adianta separar refrigerados se a retirada será feita horas depois em veículo sem refrigeração.
Organize um procedimento simples:
Esse registro ajuda a dar transparência à ação e facilita a apuração da perda. Também evita que uma boa iniciativa seja conduzida sem controle. Regras sanitárias podem ter exigências estaduais ou municipais, portanto a Vigilância Sanitária local deve ser consultada em caso de dúvida sobre transporte, manipulação ou armazenamento.
O desperdício de alimentos no varejo entrou nas metas internas de muitas redes, especialmente em categorias perecíveis. Isso aumenta a cobrança sobre lojas, compradores, centros de distribuição e fornecedores para reduzir devoluções, rupturas, descarte e remarcações tardias.
Para fornecedores, a pressão aparece na entrega com prazo mais adequado, embalagem mais resistente, previsão de demanda e negociação de devoluções. Para pequenos varejistas, o efeito é mais direto: menos espaço para comprar em excesso apenas porque o preço de atacado pareceu vantajoso.
A venda de excedente de supermercado, a remarcação e a doação são destinos possíveis, mas não substituem uma compra mais ajustada. Se toda semana sobram os mesmos produtos, o problema pode estar no volume comprado, no mix, no ponto de exposição ou no preço regular.
Também cresce a necessidade de medir perdas por categoria. Sem separar o que foi vendido com desconto, doado, devolvido ou descartado, a loja enxerga apenas uma baixa genérica de estoque e não sabe onde agir.
Nem toda tendência serve para toda operação. Uma rede com equipe dedicada pode administrar múltiplos canais de excedente. Já uma padaria de bairro pode ganhar mais ao padronizar uma pequena área promocional e registrar diariamente o que saiu com desconto.
Leitura complementar: Escolher um sistema de controle de validade.
| Alternativa | Estrutura necessária | Esforço diário | Melhor uso |
|---|---|---|---|
| Gôndola ou cesta de última chance | Etiquetas, espaço e regra de preço | Baixo | Produtos embalados e itens com poucos dias de prazo |
| Desconto no próprio setor | Etiqueta e acompanhamento de caixa | Baixo | Padaria, hortifrúti e perecíveis de giro rápido |
| Aplicativo de sacolas | Cadastro, montagem e horário de retirada | Médio | Lojas com excedente recorrente e equipe disponível |
| Doação estruturada | Parceiro confiável, registro e logística | Médio | Produtos próprios para consumo sem saída comercial |
| Descarte | Processo sanitário e registro de perda | Baixo, mas sem recuperação | Itens impróprios para venda ou doação |
Para começar amanhã, a prioridade é identificar itens que vencem nos próximos dias e criar um destino definido para cada grupo. Um produto que vence amanhã não deve ser descoberto apenas no fechamento da loja.
O erro mais comum é deixar a decisão para a última hora. Quando o encarregado encontra dezenas de itens perto do vencimento no fim do expediente, faltam tempo para precificar, equipe para montar sacolas e margem para negociar uma doação.
Outro problema é misturar produto perto do vencimento com produto vencido. A correção é física e operacional: áreas separadas, etiquetas claras e retirada imediata do que não pode mais ser vendido.
O varejo está tratando o excedente como uma decisão de operação, não apenas como descarte. Gôndolas de oportunidade, aplicativos de sacolas e doações podem funcionar, desde que a loja preserve a segurança do alimento, mantenha a temperatura correta e registre o que aconteceu com cada produto.
Para escolher o melhor caminho, o primeiro passo é saber com antecedência o que vence e em qual loja está. O PrazoGiro pode apoiar essa rotina ao mostrar diariamente os produtos que vencem no dia seguinte e ajudar a acompanhar descontos e perdas. Para entender como isso se encaixa na operação da sua loja, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do PrazoGiro.
Montar ilha de última chance sem saber o que vence na semana só muda o produto de lugar. O PrazoGiro entrega a lista por faixa de dias e o desconto sugerido para cada item.
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